11/01/2018

Pesquisa da USP aponta que treinamento aeróbio, além de prevenir, pode reverter danos da insuficiência cardíaca

A cada ano que passa mais pesquisas apontam o exercício físico regular como importante forma de tratamento da insuficiência cardíaca – doença caracterizada pela incapacidade do coração de bombear sangue adequadamente. Os benefícios vão desde prevenir a caquexia – perda severa de peso e massa muscular – até o controle da pressão arterial, a melhora da função cardíaca e o retardo do processo degenerativo que causa a morte progressiva das células do coração e leva à morte 70% dos afetados pela doença nos primeiros cinco anos. Em 2017 a USP publicou na revista Autophagy um estudo que esclarece parte do mecanismo de atuação do exercício aeróbio na proteção do coração doente. O professor Julio César Batista ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP e coordenador do projeto, esclarece que os resultados do estudo apontam que o treinamento aeróbio facilita a remoção de mitocôndrias disfuncionais nas células cardíacas. As mitocôndrias são as organelas responsáveis por produzir energia para as células. A remoção dessas organelas promove um aumento na oferta de ATP [adenosina trifosfato, molécula que armazena energia para a célula] e reduz a produção de moléculas tóxicas, como os radicais livres de oxigênio e os aldeídos reativos, que em excesso danificam as estruturas celulares.

O modelo experimental usado consistia em amarrar uma das artérias coronárias do roedor para induzir um infarto no miocárdio. A falta de irrigação sanguínea causa a morte imediata de aproximadamente 30% das células cardíacas. Após um mês, o animal já apresentava sinais de insuficiência no órgão. Ao analisar o tecido do coração doente por meio de microscopia eletrônica, capaz de aumentar a imagem em até 3 mil vezes, os pesquisadores notaram que nas células havia uma grande quantidade de mitocôndrias de tamanho reduzido e aglomeradas – algo que não foi observado no coração de animais sadios. Essas organelas foram colocadas em um equipamento capaz de medir o consumo de oxigênio e, assim, avaliar o metabolismo mitocondrial. O teste confirmou que não estavam respirando como deveriam, pois havia membranas tentando se formar em volta dessas pequenas mitocôndrias, mas o autofagossomo (processo de reciclagem e limpeza de componentes celulares, em que desde proteínas até organelas são levadas para dentro de uma vesícula chamada autofagossomo onde são reutilizadas como fonte enérgica), não chegava a envolver a organela de fato. Os pesquisadores concluíram que elas estavam se acumulando porque o sistema de remoção não estava funcionado, e quando os animais foram postos para se exercitar, essas organelas disfuncionais desapareceram. O exercício restaurou o processo de remoção das mitocôndrias cardíacas disfuncionais. Os benefícios do exercício foram abolidos quando bloquearam farmacologicamente ou geneticamente a autofagia. Os resultados da pesquisa apontam que o treinamento físico aeróbio não só previne, como também reverte os danos causados pela insuficiência cardíaca.

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Fonte de Pesquisa: Jornal da USP

Daisy Vieira
Bioteam Academias Lajeado
Profissional de Educação Física

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